O final do século XIX trouxe consigo a publicação de uma obra peculiar escrita por Olympio de Araújo, cujo título de “Aquarellas” instiga o leitor. Pouco se sabe do autor, apenas que nasceu em 1861 em Rio Novo e que ele foi ainda jornalista, tendo fundado alguns jornais em sua cidade natal e foi fundador da cadeira 37 da Academia Mineira de Letras. Seu livro de contos, de 1893, contudo, apresenta uma literatura que o próprio autor assume não estar associada a nenhuma corrente literária.
Em “Aquarellas”, Araújo traz diversos contos que não seguem uma dinâmica pré-determinada e alguns deles são oferecidos a algumas personas. “Rosinha”, inclusive, é oferecido a Christiano Araújo e tem uma observação curiosa: “Subtrahido da carteira de um bohemio”. Não se sabe se esta é apenas uma licença poética ou apenas uma troça com algum de seus amigos, ainda mais sabendo que seu irmão possuía esse nome, mas nos leva a imaginar qual seria o cenário do suposto roubo.
Seus contos breves nos transportam no tempo, nos levando a uma cidade sem nome e a uma sociedade que só conseguimos imaginar. Em “O esturdio”, dedicado a Francisco Lins, Olympio de Araújo narra a história de um sujeito que andava nas ruas sendo odiado por muitos e amado por quase ninguém.
Tinha uma figura que seria sympathica e estimável, se não foram os estragos que a embriaguez habitual havia feito naquele busto harmonico, naqueles olhos meigos, naquele aspecto comunicativo, que, no entanto, apenas inspiraram compaixão, acompanhada de involutaria repulsão, provocada pela sordidez do conjuncto, hediondez dos gestos e maneiras, halito alcoolico, inconveniencia da linguagem e excentricidade de costumes (p.8)
Com isso, acerca do “esturdio”, acaba sendo revelado pelo narrador, um segredo: a existência de uma filha que foi abandonada por ele ao nascer por ele não ter boas condições para criá-la. Sua embriaguez era causada, assim, pela culpa. O homem acompanhava a vida da filha de longe, vendo ela se tornar uma linda moça. Porém, certo dia, ele ouve um casal discutindo e impede que o homem corte a mulher com a faca depois que ela lhe conta que estava grávida. O “estúrdio” descobre, assim, que aquela era sua filha e ela havia sido ludibriada por este homem muito rico, cujo casamento não estava em seus planos. O estúrdio então ameaça o “genro” e o obriga a casar com sua filha, restaurando a honra dela. O casamento da filha e o nascimento do neto lhe proporcionam a saída do alcoolismo e ele se torna um novo homem.
Os contos de Olympio de Araújo tratam, assim, de uma perspectiva social apresentando, também, valores morais da sociedade da época. Além de “O esturdio” e “Rosinha”, Araújo conta muitas outras histórias como “O Gamenho” e sua “inusitada” aventura com as jabuticabas.
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REFERÊNCIAS
ARAUJO, Olympio de. Aquarellas: contos. Rio Novo (MG): Comp. Typographica do Brazil, 1893. 235 p.