176 anos da cidade de Drummond

A 176 anos atrás, Itabira recebia finalmente o título de cidade. Antes disso, a região era chamada de Vila de Itabira do Mato Dentro e a principal atividade econômica desenvolvida era a exploração de ouro no pico do Cauê, que ainda no ano de 1720 havia presenciado a chegada dos irmãos Faria de Albernaz, dois bandeirantes paulistas, que viram no pico a possibilidade aurífera. Contudo, com a crise do ouro anos mais tarde, as famílias que para a região já haviam se mudado, começaram a explorar o minério de ferro – coisa que até hoje é feita predatoriamente na região incluída no Vale do Rio Doce. 

Dizem que o nome da cidade advém da junção de dois termos em tupi guarani em que “ita” significa “pedra” e “byra” seria “que brilha”. Fato é que Itabira tem lá suas razões para brilhar e uma delas, sem sombra de dúvidas, é talvez o maior poeta brasileiro da história da literatura nacional: Carlos Drummond de Andrade. 

Nascido em 31 de outubro de 1902, Drummond estudou em Belo Horizonte, viveu no Rio de Janeiro, voltou à Minas, foi professor e, além de tudo, foi escritor. Seu primeiro livro de poemas, “Alguma poesia”, data de 1930. A sua cidade natal, como não podia deixar de ser, apareceu em alguns momentos em sua produção literária, como podemos ver em “Confidência do Itabirano”:

 

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

 

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

 

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa…

 

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!”

 

A cidade, à sua maneira, retribui os encantos do poeta lhe homenageando em todas as oportunidades. Quem conhece Itabira, não esquece do Pico do Amor onde estão poemas e estátuas do autor, ou mesmo da casa onde ele morou e das praças que carregam suas palavras entalhadas em cada parte. Os agradecimentos a essa cidade cheia de história e poesia! Parabéns, Itabira! 

 

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Carlos Drummond de. Confidência do Itabirano. In: Sentimento do mundo. 12. ed. Rio de Janeiro : São Paulo: Editora Record, 2001. 

CÂMARA DE ITABIRA. Histórico de Itabira. [S.n: s.l], 2009. Disponível em: https://www.itabira.cam.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/historico-de-itabira/5865 Acesso em: 09 set 2024. 

GONZALEZ CRUZ, Domingo. No meio do caminho tinha Itabira: ensaio poético sobre as raízes itabiranas na obra de Drummond. Rio de Janeiro: BVZ – O Mundo do Livro, 2000.

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